Close

Minha História e Raíz Italiana

A minha história com a Itália nasce a partir do momento que eu começo a questionar a existência do meu sobrenome. Porque se tem uma situação que descendente de Italiano vive cotidianamente é a dificuldade de que entendam e escrevam seu sobrenome.

 

E sim, todas as vezes que eu tive que pronunciar o meu  nenhuma delas a pessoa conseguia escrever. E vinha sempre a clássica pergunta:  “mas é com K” ? Teve um momento que eu já nem pronunciava mais e partia já para a soletração: “Luchiari L-U-C-H-I-A-R-I”. 

 

Anos de soletração se passaram, faculdade, o primeiro emprego (aquele que seria como a minha segunda universidade e casa). O amor, aquele que a gente pensa que será para sempre. Novas responsabilidades, conhecimentos e esperança em um futuro da casa e família margarina se aproximavam a cada ano.

 

Foi então que em 2007, com 19 anos, comecei a minha jornada pelo reconhecimento da minha cidadania Italiana. E olha que o destino me deu sempre boas razões para continuar, por 9 anos trabalhei a praticamente 300 metros do consulado Italiano. 

 

Lembro como se fosse hoje o dia que fiz uma consulta em um dos escritórios de assessoria ali mesmo na Paulista e o senhor super sério, frio me jogou um balde de água fria dizendo de todas as dificuldades do processo e tudo que eu teria que conseguir para enfim realizar meu sonho.

 

Na época, lembro que tinha até solicitado aos meus tios a documentação antiga dos meus bisavós, mas com a falta de informação e assessorias com preços irreais para uma pobre estagiária, definitivamente não seria uma prioridade continuar com o sonho da cidadania Italiana, tudo tinha voltado para a gaveta e minha vida seguiu.

 

A partir daí até soletrar meu sobrenome parecia sempre um lembrete de que aquela história ainda seria protagonista e mudaria para sempre a minha vida.

 

O empurrãozinho do destino

BUrnout

 

Praticamente uma década depois minha vida mudaria da água para o vinho, mas nesse primeiro momento eu diria da água para o chá e com um pouquinho de leite para ser fiel as tradições.

 

Em nove anos ralando do Brasil eu tinha conquistado muitas coisas, de estagiária a Coordenadora de Marketing da empresa de pesquisa mais conhecida do Brasil, o famoso IBOPE.

 

Eu tinha quase 30 anos e muitas conquistas na bagagem, uma casa e uma quase família. Mas no nesse percurso tinha ali, virando a esquina uma desilusão de tirar meu chão e me jogar no fundo do poço  acompanhada de um burnout pelo volume insano de trabalho. A partir dali comecei a sentir que a vida estava me  empurrava para algo novo, mais do que isso estava mostrando de modo dolorido que aquele não era o caminho.

Foi assim, que mesmo tendo tudo que eu havia pensado que deveria ter antes dos 30 como: a casa própria(financiada em milhões de anos) o trabalho dos sonhos, pelo qual eu vivia praticamente e o sonho de família e filhos literalmente foram por agua abaixo. Tudo aquilo não era para, pelo menos não naquele momento.

 

Mas como tomar a decisão de abandonar tudo e viver o sonho de morar fora? Meu Deus, eu tenho um financiamento de 30 anos! Ou como deixar o “amor da minha vida” ou esse trabalho dos sonhos. Nesses momentos, se você não toma uma decisão, fique tranquila/o que vida tomará por você. 

REcomeçando do Zero na Terra da Rainha

E comigo não foi diferente, eu tive uma crise fortíssima de ansiedade no trabalho e acabei me afastando e consequentemente fui desligada, o relacionamento acabou e meus pais, meus anjos, alugaram a casa deles e vieram morar no meu apartamento. Tudo se organizou para que meu destino pudesse se cumprir.

 

E após todos esses acontecimentos, praticamente, um atrás do outro, meu destino fluía para a realização do sonho de morar fora. Foi então que em menos de um mês após ter deixado meu trabalho, eu estava arrumando minhas malas para a minha aventura na Terra da Rainha.

 

Sim, morei na Inglaterra por um ano e foi mágico, parecia que estava dentro de um sonho, um filme ou qualquer coisa do gênero. Vivia em uma vila inglesa como na série de Miss Marple, foi um ano muito desafiador, viver em um outro país, com uma outra família, voltar a estudar e REcomeçar literalmente do 0.

 

Sim, aquele era meu momento e vivi intensamente. Afinal, a vida tinha me levado para aquele lugar mágico e eu só podia agradecer as conquistas e dar o meu melhor. Nesse período fiz um pouco de tudo, limpei casa, cuidei de crianças, fiz eventos, fui voluntária ensinando arte brasileira para crianças, viajei, namorei, dancei e conheci muitas pessoas.

 

Em uma pequena vila eu era mais conhecida do que a família que morava ali há anos.

recomeço+terra_da_rainha

A gente pode sair do Brasil, mas nosso jeito, nosso carisma, vai com a gente para onde formos e essa era uma realidade.

Foi aí que muitas oportunidades de trabalho apareceram até headhunters me chamavam, mas infelizmente eu não podia trabalhar, pois não tinha o direito como cidadã Europeia.

Retomando o sonho da Cidadania Italiana

embaixada_italiana_UK

Nesse momento, comecei a retomar a minha história com a cidadania Italiana em 2018 o cenário já era outro o volume de informações era infinitamente maior e remotamente comecei a reunir toda a documentação necessária.

 

Comecei pela minha árvore genealógica e através de muita pesquisa e da contratação de um profissional conseguimos localizar a Certidão de Nascimento do meu ascendente Italiano em Padova.

 

Encontrar a certidão é um momento muito importante na vida de nós, futuros Italianos, pois este documento é fundamental para que você prove a sua ligação com o Italiano. Além de ser complementado com as demais certidões de nascimento, casamento e eventuais óbitos de todos até chegar a você.

 

O óbito do meu antenato eu nunca encontrei apesar de meses e meses de pesquisa e como sabia que em alguns comunes Italianos é possível dar entrada sem o óbito, aceitei o risco e segui.

 

No entanto, como nada é fácil nesta vida, foi necessário fazer as benditas retificações, pois meu ascendente Italiano quando chegou ao Brasil, na verdade se chamava Luchiaro e em terras Brasileiras, passou a ser registrado como Luchiari e por este motivo eu tive que realizar as benditas retificações.

Digo benditas, pois para tomar essa decisão foi um processo muito difícil, afinal não implicaria só em mudar meu sobrenome e sim do meu avô, pai e mãe. Nesse momento um anjo apareceu na minha vida, a Dra. Aline Pasper, advogada e que já havia feito esse processo de retificação e que oferecia este serviço e se predispôs a me ajudar. 

 

Lembro que era agosto de 2018 quando eu passeava por Londres, pela primeira vez oficialmente, com a minha querida amiga Lisa e durante o passeio fechava todos os detalhes do processo com a advogada. Detalhe, nós NUNCA tínhamos nos visto pessoalmente, foi na base da confiança que tudo rolou.

Byebye England...

Em outubro daquele ano eu retornava ao Brasil e lembro que ela já tinha dado entrada no meu processo de retificação. 

 

Voltava para casa, para além de finalizar toda a minha documentação, também aproveitar a minha família. Passei as festas de 2018 ao lado dos meus pais e amigos.

 

Foi lindo retornar e também já viver na expectativa de um novo início com a ida para Itália, logo após meu processo de retificação fosse  autorizado pela justiça de São Paulo. 

 

Enfim, foram passando os meses e eu já tinha colocado na minha cabeça que em Maio de 2019 era o prazo para ir para Itália.

Projeto Cidadania Italiana engavetado mais uma vez

Tudo estava correndo bem quando em Fevereiro duas notícias chegaram uma ótima e uma horrível na mesma proporção. A sentença do meu processo tinha saído e nós acabávamos de descobrir um tumor na próstata do meu pai.

E naquele momento mais um buraco se abria nos meus pés. Estava tudo encaminhado mas ao mesmo tempo nada mais tinha sentido.

 

Voltei a engavetar o projeto da cidadania e foquei 100% em tudo que podia fazer para salvar a vida do meu pai e ver ele livre daquele câncer. Por sorte, era inicial e com a cirurgia ele teria grande chance de sucesso. E daquele 13 de fevereiro sombrio, chuvoso e cheio de lágrimas até 6/3, o dia do seu renascimento foi uma corrida contra o tempo. Eu não acreditava que tudo aquilo estava acontecendo.

 

Como sofremos com aquele fantasma assombrando as nossas vidas. Escrevo isso e as lágrimas escorrem novamente com um misto de dor e alívio e tanta saudade do meu herói que renasceu um dia após seu aniversário.

 

A partir dali e todas as conversas com o médico para entre exames e mais exames para ter certeza que aquele pesadelo tinha finalmente terminado eu pude respirar aliviada. E voltar a sonhar com a ida para Itália.

Agora vai...

embarcando_rumo_italia

No entanto, outros fantasmas me assombravam. Será que é justo? Como vou e deixo minha família aqui depois de um começo de ano assim delicado? Mas se eu não for agora, quando vou? E ele que nunca tinha me apoiado muito a partir daquele momento tinha sido o meu maior incentivador, junto com a minha mãe que sempre me apoiou.

 

E lá fui eu solicitar todas as retificações necessárias em todos os cartórios, refazer documentos, meus e dos meus pais, traduzir certidões. viajar até Itajaí com meu melhor amigo Diego para pagar mais barato nas apostilas e de quebra pegar a rinite mais infeliz de toda minha vida. 

 

Com a documentação pronta era hora de planejar o grande momento de todo o processo. A tão sonhada viagem para reconhecimento da cidadania Italiana.